terça-feira, 4 de maio de 2010

Decência e drogas

Li que a formação de seres humanos (em pessoas) decentes poderia ser largamente facilitada através da aquisição e consequente aplicação de competências de percepção/compreensão das emoções próprias (autoconsciência) e dos outros (empatia) e ainda de identificação e escolha de opções em decisões (autocontrolo), até estas ficarem intrínsecas, conduzindo a uma vida (individual e colectiva) com menor sofrimento. Estou a vender uma religião?

Tal como em qualquer outra formação, a idade dos alunos é relevante e nos jovens existe uma profícua janela de oportunidades para uma aprendizagem que poderia ser orientada, por pais ou professores, aproveitando situações do dia-a-dia para explorar e verbalizar emoções ou comportamentos. Em aulas dedicadas a esta temática também se poderia forçar imperceptivelmente o surgimento de eventos, através de jogos e outras actividades, que serviriam simultaneamente como casos de estudo e oportunidades de aplicação das aptidões.

Inventariar alternativas de acção, perceber o que realmente se está a passar com os intervenientes e constatar que muitas vezes a racionalidade está apenas a “dourar” emoções (expostas ou subterrâneas) no momento em que estas ocorrem, sem impor dogmas para as renegar ou deixar de expressar ideias, são capacidades preciosas que abrem portas.

Acredito que, na prática, esta prática permitiria, com habilidade, encontrar decência, [palavrão à escolha].

A susceptibilidade aos “vícios” e a probabilidade de se ficar dependente de uma substância concreta é tanto maior conforme o grau de sofrimento previamente existente, exógeno ou temperamental, associado às emoções negativas que são aliviadas pela substância. Por exemplo, apesar de todas as intersecções, a ansiedade é principalmente aplacada pelo álcool, o abatimento pela cocaína e a ira pela heroína. Para quem já está a pensar em fazer cocktails, lembre-se que os efeitos são temporários e as fragilidades ficam reforçadas, além do resto. É aqui que os dois assuntos do título se relacionam. O da decência tem existência autónoma, [palavrão à escolha].

5 comentários:

  1. eu preciso de álcool, cocaína e heroína.

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  2. Preferia ter visto um smile no final dessa frase.

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  3. Nas escolas já há quem o faça, creia que há!
    Mas tal é pouco divulgado, porquê? Não sei!
    Abracinho

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  4. maria teresa,
    Ainda bem, não sabia. Mesmo intercalando com outras matérias, é possível.

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  5. Tantas coisas que se poderiam fazer na construção de indivíduos plenos e felizes. No fundo, acredito que a base está na construção da auto-estima e da auto-confiança. O resto vem por arrasto.

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