Sábado, 24 de Dezembro de 2011
Sábado, 15 de Outubro de 2011
Domingo, 31 de Julho de 2011
Sim
Este post traduz a constatação de que não tenho andado por aqui e antecipação de que vou continuar a não andar. Peço desculpa por só agora escrever e pelo que agora vou escrever, por ser tão pouco. Na panela das justificações junto falta de forças; angústia de não poder ser explícito nem completo; ambição pela perfeição; vergonha por não corresponder; muita ocupação com o trabalho; vontade de fugir, esconder-me, dormir... Fragilidade em geral. Peço desculpa.
Agradeço a quem partilhou aqui e nos seus blogues o seu tempo, emoções, frustrações e esforço. Sinto um calor no coração quando recordo as pessoas com quem fui falando por aqui e que me ajudaram e aguentaram.
Os aspectos menos bons que identifiquei neste meio (e noutros) foram mesmo o sentido de incompletude e as várias dificuldades associadas à escrita. Parafraseando uma amiga, lembro-me de me fazer falta uma pessoa e as oportunidades para, de vez em quando, estar a falar descontraidamente (ou densamente) numa esplanada vazia ou no jardim (os bancos de jardim são recorrentes), a olhar para o vazio, sem escrever nada, simplesmente a falar baixinho (ou alto), a mudar os tons de voz e as expressões faciais. Para partilhar a postração ou o riso descontrolado. Pois, acho que sou assim um bocado para o ambicioso/insatisfeito.
Permitam-me o desabafo incompleto e a trivialidade... há que aguentar e fazer por dias melhores.
Obrigado pela identificação, pelas alegrias, pela oportunidade de me sentir útil, pelo envolvimento e por tudo.
Lágrima, lágrima, sorriso, sorriso.
Agradeço a quem partilhou aqui e nos seus blogues o seu tempo, emoções, frustrações e esforço. Sinto um calor no coração quando recordo as pessoas com quem fui falando por aqui e que me ajudaram e aguentaram.
Os aspectos menos bons que identifiquei neste meio (e noutros) foram mesmo o sentido de incompletude e as várias dificuldades associadas à escrita. Parafraseando uma amiga, lembro-me de me fazer falta uma pessoa e as oportunidades para, de vez em quando, estar a falar descontraidamente (ou densamente) numa esplanada vazia ou no jardim (os bancos de jardim são recorrentes), a olhar para o vazio, sem escrever nada, simplesmente a falar baixinho (ou alto), a mudar os tons de voz e as expressões faciais. Para partilhar a postração ou o riso descontrolado. Pois, acho que sou assim um bocado para o ambicioso/insatisfeito.
Permitam-me o desabafo incompleto e a trivialidade... há que aguentar e fazer por dias melhores.
Obrigado pela identificação, pelas alegrias, pela oportunidade de me sentir útil, pelo envolvimento e por tudo.
Lágrima, lágrima, sorriso, sorriso.
Quinta-feira, 24 de Junho de 2010
Metro 3
Há uns dias, no metro, quando estava a olhar para todas as caras sérias dispersas pela carruagem, comecei a interiorizar que aqueles adultos pendurados nos varões foram, em tempos, crianças. Então comecei a vê-los correr, a fazer disparates, aos saltos e aos gritos, com toda a actividade e diversidade característica da infância. Depois regressei à fotografia estática e sorumbática mas não sem, também, continuar a sentir aquelas oliveiras encarquilhadas com um bocadinho, esquecido, de irreverência infantil e então já não as consegui levar a sério.
A divagação não teve o objectivo de desmistificar quem estava à minha frente. Simplesmente aconteceu, como mais um subproduto. Aliás, não houve qualquer objectivo. No entanto, também poderia servir para deixar um qualquer apresentador mais à vontade perante uma audiência, como aquela cena de imaginar a plateia nua. Mais um subproduto.
A divagação não teve o objectivo de desmistificar quem estava à minha frente. Simplesmente aconteceu, como mais um subproduto. Aliás, não houve qualquer objectivo. No entanto, também poderia servir para deixar um qualquer apresentador mais à vontade perante uma audiência, como aquela cena de imaginar a plateia nua. Mais um subproduto.
Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
Morreu José Saramago
Reproduzo aqui a mensagem que lhe enviei há uns tempos…
Estimado Sr. José Saramago,
Obrigado. Gostaria de fazer reflectir neste agradecimento a intensidade da gratidão que lhe tenho por partilhar o seu ser através das obras que publica. Ajudou-me muito e vai continuar a ajudar-me.
Com enorme apreço,
Estimado Sr. José Saramago,
Obrigado. Gostaria de fazer reflectir neste agradecimento a intensidade da gratidão que lhe tenho por partilhar o seu ser através das obras que publica. Ajudou-me muito e vai continuar a ajudar-me.
Com enorme apreço,
Quinta-feira, 20 de Maio de 2010
Quê?
Instantes captados
...no metro, uma senhora a falar alto ao telemóvel:
- Vou ainda hoje levar-lhe um pão benzido, que foi benzido à minha frente, para você comer durante o dia.
...no ginásio, entre 2 praticantes de musculação:
- Sabes qual é o gajo com mais abdominais do mundo?
- Não.
- É o abdominal homem das neves, HÁ, HÁ, HÁ.
- …
...no metro, uma senhora a falar alto ao telemóvel:
- Vou ainda hoje levar-lhe um pão benzido, que foi benzido à minha frente, para você comer durante o dia.
...no ginásio, entre 2 praticantes de musculação:
- Sabes qual é o gajo com mais abdominais do mundo?
- Não.
- É o abdominal homem das neves, HÁ, HÁ, HÁ.
- …
Quarta-feira, 19 de Maio de 2010
Burro
Lamento a violência da imagem mas coloquei-a aqui por ser a melhor representação fotográfica que vi do que é estar num buraco.

Impressionou-me por ser um buraco, por ser fundo, por ser um animal, por estar em sofrimento, por parecer um fim, por ser longo, por ser injusto, por ser impossível sair, por não haver nada que se consiga agarrar, por ser claustrofóbico, por estar no lodo, por ser burro.
Resta-me informar que a história teve um final feliz.

Impressionou-me por ser um buraco, por ser fundo, por ser um animal, por estar em sofrimento, por parecer um fim, por ser longo, por ser injusto, por ser impossível sair, por não haver nada que se consiga agarrar, por ser claustrofóbico, por estar no lodo, por ser burro.
Resta-me informar que a história teve um final feliz.
Terça-feira, 4 de Maio de 2010
Decência e drogas
Li que a formação de seres humanos (em pessoas) decentes poderia ser largamente facilitada através da aquisição e consequente aplicação de competências de percepção/compreensão das emoções próprias (autoconsciência) e dos outros (empatia) e ainda de identificação e escolha de opções em decisões (autocontrolo), até estas ficarem intrínsecas, conduzindo a uma vida (individual e colectiva) com menor sofrimento. Estou a vender uma religião?
Tal como em qualquer outra formação, a idade dos alunos é relevante e nos jovens existe uma profícua janela de oportunidades para uma aprendizagem que poderia ser orientada, por pais ou professores, aproveitando situações do dia-a-dia para explorar e verbalizar emoções ou comportamentos. Em aulas dedicadas a esta temática também se poderia forçar imperceptivelmente o surgimento de eventos, através de jogos e outras actividades, que serviriam simultaneamente como casos de estudo e oportunidades de aplicação das aptidões.
Inventariar alternativas de acção, perceber o que realmente se está a passar com os intervenientes e constatar que muitas vezes a racionalidade está apenas a “dourar” emoções (expostas ou subterrâneas) no momento em que estas ocorrem, sem impor dogmas para as renegar ou deixar de expressar ideias, são capacidades preciosas que abrem portas.
Acredito que, na prática, esta prática permitiria, com habilidade, encontrar decência, [palavrão à escolha].
A susceptibilidade aos “vícios” e a probabilidade de se ficar dependente de uma substância concreta é tanto maior conforme o grau de sofrimento previamente existente, exógeno ou temperamental, associado às emoções negativas que são aliviadas pela substância. Por exemplo, apesar de todas as intersecções, a ansiedade é principalmente aplacada pelo álcool, o abatimento pela cocaína e a ira pela heroína. Para quem já está a pensar em fazer cocktails, lembre-se que os efeitos são temporários e as fragilidades ficam reforçadas, além do resto. É aqui que os dois assuntos do título se relacionam. O da decência tem existência autónoma, [palavrão à escolha].
Tal como em qualquer outra formação, a idade dos alunos é relevante e nos jovens existe uma profícua janela de oportunidades para uma aprendizagem que poderia ser orientada, por pais ou professores, aproveitando situações do dia-a-dia para explorar e verbalizar emoções ou comportamentos. Em aulas dedicadas a esta temática também se poderia forçar imperceptivelmente o surgimento de eventos, através de jogos e outras actividades, que serviriam simultaneamente como casos de estudo e oportunidades de aplicação das aptidões.
Inventariar alternativas de acção, perceber o que realmente se está a passar com os intervenientes e constatar que muitas vezes a racionalidade está apenas a “dourar” emoções (expostas ou subterrâneas) no momento em que estas ocorrem, sem impor dogmas para as renegar ou deixar de expressar ideias, são capacidades preciosas que abrem portas.
Acredito que, na prática, esta prática permitiria, com habilidade, encontrar decência, [palavrão à escolha].
A susceptibilidade aos “vícios” e a probabilidade de se ficar dependente de uma substância concreta é tanto maior conforme o grau de sofrimento previamente existente, exógeno ou temperamental, associado às emoções negativas que são aliviadas pela substância. Por exemplo, apesar de todas as intersecções, a ansiedade é principalmente aplacada pelo álcool, o abatimento pela cocaína e a ira pela heroína. Para quem já está a pensar em fazer cocktails, lembre-se que os efeitos são temporários e as fragilidades ficam reforçadas, além do resto. É aqui que os dois assuntos do título se relacionam. O da decência tem existência autónoma, [palavrão à escolha].
Segunda-feira, 19 de Abril de 2010
Provocação
Vão lá ameaçar o vulcão dos islandeses para honrar indemnizações sobre prejuízos derivados do encerramento do tráfego aéreo na Europa e oiçam a resposta. :)
Quinta-feira, 8 de Abril de 2010
Tabu
Na parte da blogosfera por onde passeio há uns meses, tenho lido sobre uma grande diversidade de assuntos. Partilham-se grandes marcos da vida, acontecimentos do quotidiano, ódios, queixas, elogios, aspectos corporais, notícias, sexo, alegrias, roupa, receitas, factos científicos, política, relações amorosas, familiares, pessoais, laborais e animais. Fala-se de temas íntimos ou públicos para descarregar, registar ou antecipar identificação com alguém que nos leia, em formas explícitas ou encriptadas, em gritos, desabafos, relatos ou explicações, numa abordagem desinibida, favorecida certamente pelo anonimato.
No entanto, há um tópico tabu, apesar de, pelo menos em algumas alturas, também provocar frustrações, ansiedades e desilusões, e também ser traduzível em verborreias. Estou a falar de não se falar na vertente financeira da vida de cada um. O dinheiro não existe. Nada de montantes de vencimento, avenças, aquisições ou dívidas. Ou então aparece é para dizer que aqueles Louboutin de sonho, inalcançáveis, custam €300 ou o preço do gasóleo aumentou outra vez, para €1,179.
Especulo uma caldeirada de justificações para a reserva. Talvez porque o assunto se esgote em si mesmo; é chato; os números favorecem comparações e consequentemente a inveja; é fútil; existe vergonha; é difícil transmitir o contexto laboral; medo de raptos e da criminalidade em geral; pode originar pedinchice; é propiciador de afastamentos, exibicionismo ou miserabilismo; nem os próprios querem pensar no assunto. Enfim, as explicações são inúmeras para este assunto ser considerados ultra-pornográfico, hardcore e ser tratado ao nível dos que parecem colocar em causa a sobrevivência, mesmo a coberto do anonimato.
Vejam lá se não se revêem nas afirmações: a vaca da minha chefe não me aumentou outra vez e fiquei nos €1.200; o Manel faz muito menos do que eu e recebe mais €1.000 só porque é mais velho; nem tenho dinheiro para ir ao cinema; naquela venda de droga ganhei €1.500 e dupliquei o capital investido; este mês recebi €6.700; não sei se o dinheiro chega ao fim do mês; a relação dos vencimentos com o trabalho produzido, por aqui, é completamente aleatória; não quero viver à custa de ninguém; os aumentos anuais são rotativos e alheios ao mérito; o que me safou foi o prémio de €5.000 referente àquele projecto mas mesmo assim é injusto; ganho €5 de comissão por cada cartão de crédito que consigo impingir pelo telefone.
É só. É demasiado sensível. Não tenho mais nada a dizer. Não mexo em dinheiro. Por favor, paguem à minha assistente.
No entanto, há um tópico tabu, apesar de, pelo menos em algumas alturas, também provocar frustrações, ansiedades e desilusões, e também ser traduzível em verborreias. Estou a falar de não se falar na vertente financeira da vida de cada um. O dinheiro não existe. Nada de montantes de vencimento, avenças, aquisições ou dívidas. Ou então aparece é para dizer que aqueles Louboutin de sonho, inalcançáveis, custam €300 ou o preço do gasóleo aumentou outra vez, para €1,179.
Especulo uma caldeirada de justificações para a reserva. Talvez porque o assunto se esgote em si mesmo; é chato; os números favorecem comparações e consequentemente a inveja; é fútil; existe vergonha; é difícil transmitir o contexto laboral; medo de raptos e da criminalidade em geral; pode originar pedinchice; é propiciador de afastamentos, exibicionismo ou miserabilismo; nem os próprios querem pensar no assunto. Enfim, as explicações são inúmeras para este assunto ser considerados ultra-pornográfico, hardcore e ser tratado ao nível dos que parecem colocar em causa a sobrevivência, mesmo a coberto do anonimato.
Vejam lá se não se revêem nas afirmações: a vaca da minha chefe não me aumentou outra vez e fiquei nos €1.200; o Manel faz muito menos do que eu e recebe mais €1.000 só porque é mais velho; nem tenho dinheiro para ir ao cinema; naquela venda de droga ganhei €1.500 e dupliquei o capital investido; este mês recebi €6.700; não sei se o dinheiro chega ao fim do mês; a relação dos vencimentos com o trabalho produzido, por aqui, é completamente aleatória; não quero viver à custa de ninguém; os aumentos anuais são rotativos e alheios ao mérito; o que me safou foi o prémio de €5.000 referente àquele projecto mas mesmo assim é injusto; ganho €5 de comissão por cada cartão de crédito que consigo impingir pelo telefone.
É só. É demasiado sensível. Não tenho mais nada a dizer. Não mexo em dinheiro. Por favor, paguem à minha assistente.
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